Maior ganho de carcaça para bezerros do "cedo"

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08/01/2018

Dados de campo já comprovaram que os chamados “bezerros do cedo”, ou seja, nascidos no início da estação de parição (agosto-outubro), resultam em benefícios produtivos e reprodutivos ao rebanho, tais como maior peso na desmama e aumento nas taxas de concepção de matrizes e de novilhas desafiadas precocemente. Porém, no Brasil, ainda há poucos trabalhos práticos que relacionam o período de parição, bem como a eficiência nutricional ao longo da fase gestacional (conceito conhecido como “programação fetal”), com o potencial de ganho de carcaça dos animais e melhoria na qualidade da carne.

Um projeto pioneiro realizado pela Agropecuária Fazenda Brasil (AFB), de Barra do Garças, MT, comprovou que a alta performance de bezerros nascidos no início da estação de parição resulta em menor tempo de confinamento e maior rendimento de carcaça no abate. Os dados de campo foram divulgados pelo gerente de pecuária da AFB, Rogério Fonseca Peres, durante um encontro promovido pela Zoetis, realizado em Uberlândia, MG, um dia antes da abertura do evento Novos Enfoques.

Para que as vacas consigam parir no “cedo” (agosto-outubro), é preciso emprenhá-las no início da estação de monta, de novembro-janeiro. Para tanto, é preciso voltar a atenção para o manejo de pastagens e estratégias de suplementação alimentar nos meses que antecedem a parição, com intuito de prepará-las para a reconcepção. Além disso, esse manejo estratégico alimentar permite que as matrizes recebam as quantidades requeridas de nutrientes principalmente nos terços médio e final de gestação (do quarto ao nono mês), quando ocorre a maior formação de tecidos musculares e adiposos da cria, essenciais para o desempenho produtivo do animal ao longo da vida, bem como para melhorias na qualidade da carne, em especial o almejado marmoreio.

Por outro lado, a vaca que emprenha por último (fevereiro-março-abril) passará por um terço médio de gestação (julho, agosto e setembro) bastante complicado, por se tratar do período seco, portanto, com baixa oferta de forragem de qualidade nas regiões pecuárias brasileiras – situação agravada pelo fato dessas fêmeas ainda estarem, geralmente, com bezerro ao pé.

Incremento na receita - Dados levantados pela AFB referentes ao ano passado mostraram que os bezerros machos cruzados (Angus/F1) do “cedo” (carimbo 8 e 9, ou seja, nascidos em agosto e setembro) registraram, em 124 dias de cocho, ganho de carcaça diário de 1,260 kg, enquanto os nascidos no “tarde” (janeiro-fevereiro) tiveram ganho de carcaça de 1,130 kg, ou seja, um diferença de ganho de 130 gramas de carcaça/dia. Em outro grupo de animais confinados pela AFB, dessa vez todos da raça Nelore, a diferença de ganho de peso entre bovinos do “cedo” e do “tarde”, após 129 dias de confinamento, ficou em torno de 90 gramas de carcaça/dia.

“Como atuamos com ciclo completo, foi possível reunir dados zootécnicos precisos de nossos animais, do nascimento ao abate”, observa Peres, acrescentando que o projeto envolveu um número considerável de cabeças, de quase 5.000 bovinos, entre Nelore e cruzados.

Nas contas de Peres, considerando números arredondados e um valor de arroba do boi gordo de R$ 135 (R$ 9,00/kg), cada 100 gramas de ganho de carcaça/dia no confinamento representa um ganho adicional de R$ 0,90/cabeça, ou de R$ 108 em 120 dias de cocho. “Ou seja, em caso de uma estrutura de engorda de 10.000 bois, os lotes de animais nascidos no início da estação resultarão em uma receita adicional no confinamento superior a R$ 1 milhão na comparação com os animais gerados tardiamente”, destaca o gerente da AFB.

Segundo Peres, a Fazenda Brasil pretende, num próximo passo do projeto, mensurar a qualidade das carcaças dos grupos de animais nascidos em diferentes épocas do ano. Pedro Veiga, gerente global de tecnologia em bovinos de corte da Nutron/Cargill, que também participou da reunião da Zoetis, adianta que já há trabalhos no Brasil que mostram que o uso de suplementação proteica em vacas Nelore durante o terço médio e final da gestação resulta “em aumento significativo das fibras musculares das crias, elevando a espessura de gordura subcutânea e o teor de gordura intramuscular (marmoreio) dos animais no período final de engorda”.

*Matéria originalmente publicada na edição 438 da Revista DBO. 

Fonte: Portal DBO
Imagem: WA RURAL


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