MT: abates crescem 13% em setembro ante 2016

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11/10/2017

A demanda aquecida por carne se mostrou essencial para a recuperação do mercado da pecuária em Mato Grosso nos últimos meses. Em setembro, novo crescimento no número de abates foi registrado no Estado, com 434 mil animais terminados, 13% a mais que em setembro do ano passado. Apesar do volume ser 12,66% menor do que o registrado em agosto, é considerado alto devido ao período de entressafra da pecuária, quando a seca compromete a disposição de pasto e prejudica a engorda.

Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a retomada imediata de mercados e o aumento no consumo interno foram fatores importantes para que a pecuária de corte não acumulasse perdas ainda maiores. O diretor-executivo da entidade, Luciano Vacari, explica que de março a julho, o mercado registrou quedas consecutivos no preço da arroba, causando perda de renda para o pecuarista.

“Em Mato Grosso, foram registradas até 11 semanas seguidas de desvalorização no mercado do boi gordo. Operação da Polícia Federal, corrupção envolvendo agentes do setor e incertezas na economia do país causaram prejuízos no campo. A retomadas de mercados internacionais e o recente crescimento em postos de trabalhos foram essenciais para que o ano não fosse perdido para a pecuária de corte”, afirma Vacari.

O boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) informa que as altas nos abates e nas exportações e a recente recuperação no preço da arroba ainda não são suficientes para estabelecer como o ano será finalizado. De acordo com a avaliação do Instituto, o montante de bovinos abatidos em setembro deste ano é 7,2% maior do que a média dos primeiros oito meses deste ano e ainda houve valorização de 9,5% no preço da arroba em comparação com agosto.

“Mesmo com mais oferta, foi possível manter o preço em ascendência. O mercado em outubro e novembro vai depender do número de animais terminados em confinamento que estarão disponíveis e da demanda interna e externa”, avalia Luciano Vacari.

Políticas de apoio – Algumas medidas adotadas pelo governo estadual contribuíram para a manutenção do mercado do boi gordo, como a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para abate em outros Estados e atualização da pauta do boi gordo, que é a base de cálculo do imposto.

O presidente da Acrimat, Marco Túlio Duarte Soares, explica que a redução do ICMS, por parte do governo estadual, atendeu a uma demanda do setor produtivo. “Em março, quando havia previsão de aumento da alíquota de 7% para 9% para o gado em pé, o governo atendeu a primeira solicitação dos pecuaristas e manteve os 7% até final de junho. Novamente, antes que o ICMS fosse elevado para 9%, conforme era previsto, o governo do Estado reconheceu a situação delicada enfrentadas pelos produtores de carne e reduziu a alíquota para 4%”, detalhou.

A redução do imposto foi essencial para todo o setor. “Hoje vemos que a redução, ao invés de estimular a evasão de animais para o abate em outros estados, estimulou o mercado interno. Com mais concorrência, a indústria remunerou melhor o produtor, aumentou a produção e Mato Grosso, ao invés de enviar produto in natura, vendeu com valor agregado”.

Agora, a entidade pleiteia a manutenção da alíquota em 4% até 31 de dezembro para garantir a movimentação aquecida do setor. “Enviamos ao governo, no dia 19 de setembro, um ofício solicitando a manutenção do ICMS em 4%. Esperamos contar mais uma vez com a parceria com um dos principais setores produtivos do Estado”, afirma Marco Túlio.

Fonte: Acrimat
Imagem: Gazeta do Povo


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