Brasil suspende importações de leite do Uruguai

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11/10/2017

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, anunciou nesta terça-feira, 10, a suspensão das importações de leite do Uruguai até que sejam dados esclarecimentos sobre a origem dos produtos que são mandados para o Brasil. “Tomamos a decisão de suspender as licenças até que o Uruguai consiga nos mostrar que 100% do leite enviado para o Brasil é de origem uruguaia”, disse Maggi. Segundo ele, as comunicações legais já estão sendo feitas. A decisão, acredita o ministro, deve dar fôlego ao setor brasileiro de leite, que vinha reclamando do excesso da entrada de leite uruguaio no país.

No anúncio, Maggi disse que tem recebido muitas reclamações sobre a quantidade de leite importada do Uruguai e que “há uma grande suspeita” de que nem todo o volume tem origem uruguaia, mas que ainda não foi possível comprovar isso. “O próximo passo será o envio de uma equipe técnica para investigar a rastreabilidade do leite para só assim o Uruguai ter de volta a garantia para uma importação justa”.

Para o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) Nilson Leitão (PSDB-MT), a decisão “não é um assunto fácil”, já que o país tem outros negócios com o Uruguai, mas é necessária e pode incentivar o mercado interno.

“Se o Uruguai está comprando leite de terceiros e exportando para o Brasil para se beneficiar do acordo com o Mercosul, isso é uma justificativa válida para a interrupção, porque prejudica o país e os produtores locais, nos coloca em uma posição de inferioridade”, opina Jorge Rubez, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Leite Brasil). Rubez ainda não acredita que exista razão para ficar temeroso a respeito do impacto da suspensão nas relações comerciais com o Uruguai.

Alexandre Guerra, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) e do Conselho Paritário Produtores/Indústria de Leite do RS (Conseleite/RS), acredita que a medida é importante para se ter clareza sobre a origem do leite que tem entrado no país. “Mas nosso pleito é a de compras governamentais para tirar excedentes e da colocação de cotas de importação para o Uruguai”. Sobre o impacto inicial da medida no mercado interno, Guerra explica que ainda não é possível avaliar, porque depende do volume que estava programado para entrar e de quanto tempo vai durar a medida. 

Cotas - Segundo o ministro, é “um desejo do Mapa, da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e dos produtores” a colocação de cotas para a importação de leite do Uruguai, a exemplo do que é feito com a Argentina, já que o volume importado tem pressionado os preços para os produtores brasileiros. "Porém, o Uruguai não se sente confortável em fazer isso”. Ele ainda disse que o ministério vai trabalhar na possibilidade de retirar o leite da pauta do Mercosul. “Mas é uma questão mais ampla, que envolve o Itamaraty, questões políticas e os outros países”. Rubez acredita que a suspensão pode pressionar o país vizinho a aceitar as cotas, já que há uma dependência do Uruguai em relação ao Brasil.

De acordo com Guerra, a implementação de cotas para o Uruguai traria mais previsibilidade ao setor. “Faz parte do acordo do Mercosul, entendemos que é fundamental, porque o país tem outros negócios com o Uruguai, mas nós do setor lácteo precisamos ter essa certeza de quanto leite vai entrar para não alcançar um volume excessivo em um mês e criar desconforto comercial”, explica. 

Volume - Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o Brasil comprou 86% da produção de leite uruguaio em pó desnatado e 72% do integral em 2017. Já informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) apontam que as exportações de leite em pó representam 25% de tudo que o Uruguai vende ao Brasil. 

Fonte: Portal DBO
Imagem: Jornal do Commercio


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